Quero um amor assim!

E você tava tão lindo naquela multidão. E eu, boba como sou, me imaginei com a vida colada na sua. Mas, a realidade, cruel que é, não nós permite vivenciar esse momento. 
Fechei os olhos e magicamente, você desapareceu.  Só não sei o que foi real e qual parte foi sonho. Alguns sonhos doem mais que a realidade. 


 Lembro de ti, e não sei mais se isso é bom ou ruim.

Por todas as histórias findas, antes de ser tornarem lindas, gratidão. Por tudo o que foi desfeito, pela falta de calor e jeito, gratidão. Por não ter o que eu queria, estar próximos apenas pela geografia, gratidão. Por ter dado certo por pouco tempo, contrariando a vontade do momento, gratidão. Por todo o amor genérico e sentimentos falsificados, gratidão. Por tanto ter sido tão pouco, apenas cinzas e o potencial do fogo, gratidão. Por todo afeto inútil, e lixo emocional, gratidão. Pelas histórias tão breves, predispostas a causar feridas, gratidão. Por todos os parcos amores não terem ficado em minha vida, gratidão. 
Pois meu coração estava livre e vazio pra você chegar doce e macio se instalando em cada vão.
Gratidão.

Marla de Queiroz
E que o mais importante seja o amor: ele mesmo, em estado bruto até a sofisticação da evolução de ambos. Aquele que está além da dimensão homem-mulher, mas que abrange primeiramente o amor próprio, o amor à vida, o amor ao que nos fortalece, reforça nossa esperança, que nos amadurece e deixa gratos. O amor por mais um dia, por mais uma vitória, pela aceitação que supera o que antes era só uma maneira de admitir, mas que não nos conduzia à plenitude do que realmente a existência reservou para nós. Amor que não depende, agrega. Que não subtrai, soma. Amor que não “embarulha”, mas soa feito melodia doce. Amor que respeita a individualidade antes e apesar de qualquer coisa. Amor que nos faz enxergar o Outro como ele é sem as distorções e anestesias da carência ou quaisquer coisas que alterem nossa percepção de mundo. Sentimento que descobrimos sem medo, à flor da pele, cientes de que temos todas as ferramentas para superar conflitos, frustrações e que podemos evoluir também no que é desconfortável. Amor construído para ser saudável: sem pressa, ansiedade ou impulso. Tranquilamente o nosso coração abraça o Outro com toda a sua bagagem de potencialidades desenvolvidas e limitações. E o parceiro acha morada ali, naquele abrigo de paz. Não o único abrigo de paz, apenas mais um deles. Porque nossa vida é composta por muitas outras pessoas, paisagens, sensações que não podem ser excludentes quando decidimos nos unir. Amor de querer bem. Amor de se cuidar. Amor que sabe a hora também de deixar ir...
Tem que ser simples para ser bom. 
Que assim seja. Que seja SIM.

Marla de Queiroz
Eu só queria ser a escolhida. A admirada e a sua princesa. 
ADEUS! 


Deus,
Que nesse novo ano, eu receba em minha vida pessoas abertas, leves ... com doçura na alma e no coração. Que  a  energia em mim, seja de doçura e PAZ. Que eu possa viver, tudo que eu sonho. Mas se meus sonhos não forem os seus. Que, eu, vivencie os nossos.  Renove a minha FÈ, Senhor. Pois ela anda abalada, ou quase destruída.  Que eu possa me ter, sem tanta amargura, sem dores. E principalmente, cuida, Senhor de todos que amo.

Amém! 
Eu e essa mania idiota de criar expectativas em pessoas que não valem nada. Eu e essa mania de me preocupar com quem não estar nem ai.
Já deveria ter aprendido que  SOU EU E EU MESMA. E que não conto com ninguém.
Chateada!
(...) Quando estamos num turbilhão emocional, as imagens turvas pedem anestesias e a gente acha que obtém algum controle sobre as coisas pensando que podemos deixar pra cuidar da nossa vida amanhã. Mas à medida que protelamos nossa transformação, à medida que adiamos nossa mudança, adiamos também uma forma nova de sentir outras alegrias. E fechamos os olhos pra quem está ao lado, ou banalizamos um possível encontro que poderia desencadear uma história mais bonita. Ter a felicidade como um propósito, é a coisa mais difícil que conheço. Estamos sempre fugindo de nós mesmos e nos julgamos espertos demais com a porção de pequenas mentiras que nos inventamos. Mas a angústia que vem disso não nos deixa esquecer que só estamos adiando um processo precioso e delicado demais já que podemos continuar nos anestesiando. É preciso estar pronto, mas estar pronto também é transitório. E é preciso lucidez e coragem pra enfrentar o nosso pior inimigo: nós mesmos. Admitir que estamos nos fazendo mal com alguns hábitos ou relacionamentos destrutivos é assustador. E muitas vezes a sensação de impotência é o que impera. Somos imediatistas demais e não queremos sentir dor. Camuflamos nossa infelicidade da forma mais adequada que podemos e passamos boa parte da vida sendo quem não somos. Por isso sempre aquela sensação de que alguma coisa está fora do lugar...
Marla de Queiroz
Têm dias que o silêncio espeta por dentro.
E as emoções carcomidas pela falta de.
Fica um embrulho vazio na garganta, eu sei.
Uma bolha de angústia.
O corpo sem responder a qualquer resquício de otimismo.
Nenhuma palavra escorre pelos dedos,
mas a mente inquieta.
Silêncio.
Se tem dor dormida dentro,
brasa acesa não aquece.
Dormência fora, encontro de insônias.
Cansaço sem lugar pra encostar o corpo
por causa do vazio atrás e dentro.
Eu sei como é:
só se encontra amparo onde há-braços.

(livro: FLORES DE DENTRO)
Mais um dia, dádiva divina, início de tudo,cores vivíssimas, a água que sacia a boca, molha os lábios. Em algum lugar chove até transbordar sobrevivência ou deixar um buraco onde antes havia uma pessoa, uma família. Notícias de jornais são sempre tristes. Mas algumas delicadezas: uma árvore foi salva, uma roseira deu botão, as violetas estão calmas, alguém acordou com uma atitude pronta para mudar toda sua vida. Mais um dia dádiva, divino este início de tudo. Hoje, uma Outra eu, não a mesma que foi dormir ontem: experiências agregam, amanhecemos sempre diferentes. Mais um dia e nenhum outro dia em nossas vidas será igual a este. Quanta novidade guardada numa noite finda.
Hoje eu me perdoo e me permito: evitar o que machuca ou promover o que enriquece e que não foi feito (ainda).

Desejo boas notícias.
Marla de Queiroz
(...)
 


Eu só queria alguém pra cuidar dos meus medos. Alguém pra me abraçar nos dias ruins e pra rir comigo nos dias bons. Alguém capaz de colocar o mundo de cabeça pra baixo para abraçar o meu.  Alguém que lute por mim com unhas e dentes e que quando  eu queira ir embora, esse alguém segure a minha mão forte e diga: "Eu sou seu. E estou aqui pra segurar sua mão. "
Quero alguém pra me amar incondicionalmente e pra dormir de conchinha sem medo.

Por que é tão difícil sairmos de nossas zonas de conforto_ que podem nem ser tão confortáveis assim_ mesmo sob o sol quente rachando a pele, mesmo sabendo que logo ali à frente há promessa de mais alegria e menos frio?
Porque ser livre é mérito dos que têm coragem. Uma conquista dos que rompem o vínculo com a culpa e experimentam suas próprias leis_ já que a liberdade é almejada mas também complicada. Difícil como ter o oceano à frente e não saber o que fazer com ele. Acreditar no prazer que existe em estar submerso e ter medo de água fria. Enxergar a beleza, admirar a coragem dos que se arriscam e preferir ficar na areia observando com brandura e pouca bravura.
Esquecemos que somos livres. Preferimos culpar a água gelada, o vento que chega sem avisar, a sombra que surge do nada. Esquecemos que dentro de nós tem sempre um sol que aquece, uma água morninha convidando pra um mergulho, uma noite iluminada.
Optamos em ser apenas observadores, sentados em cangas esperando pela vida que acontece de verdade fora de nós. Enquanto isso, sempre haverão meninos de pele morena rindo ao sabor do mar, nos mostrando que perdemos tempo com previsões, limites, juízos e regras inúteis enquanto a vida escapava gentilmente como areia descendo pelos dedos.
Porém, liberdade não é para amadores, para quem não se conhece. Ao contrário, é coisa de gente séria, que se arrisca com responsabilidade e tem coragem de avançar e também recuar, de quem percebe a agitação do mar e não vacila com a própria vida. Pois ser livre não tem a ver com se atirar descontroladamente e sim se conhecer, aprofundar no mistério que habita e entender de si mesmo sem julgar, não apenas surfando na superfície da vida mas sim procurando respostas, encontros, disposições...

Do texto "Liberdade e férias", blog A Soma de todos os Afetos, por Fabíola Simões. Link: http://asomadetodosafetos.blogspot.com.br/
Cuidar bem de quem se ama não é apenas causar algo que beneficie o Outro ou um comportamento totalmente altruísta. Cuidar bem de quem se ama é a maneira mais bonita de desenvolver o nosso potencial amoroso e aprimorar nossos valores. Isto nos faz nobres e amoráveis. Quando estamos Conscientes de que o amor é nosso e o Outro é nosso foco, vemos na relação não uma obrigação de nutri-la, mas a vontade de. Sentimos a delicada sensação de que estamos tendo a oportunidade de enriquecer a nós mesmos extraindo de um sentimento o que há de mais genuíno nele. Isto nos humaniza, nos alegra, nos sensibiliza, nos conecta com uma dimensão maior do amor. Cuidar bem de quem se ama significa cuidar bem do que vem à tona de nós dentro de um relacionamento. É um investimento na nossa maneira de comunicação com a vida. Denota maturidade e sabedoria. Estar inteiro no amor é dispensar quaisquer joguetes que possam encardir a pureza que nos foi ofertada. Tudo nos é oferecido limpo e sagrado, cabe a nós aceitar com profunda gratidão ou macular com limitações que sinalizam que ainda não estamos prontos ou dispostos a transcender. Cuidar bem de quem se ama numa Era de medos e traumas e complicações desnecessárias é um dos atos mais revolucionários que eu conheço.
Marla de Queiroz
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca
 
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