Procurar pelo amor me foi inútil. O amor me encontrou. Não foi necessário nada além de um coração liberto, aberto e descontraído: o amor foi contraído no momento mais inusitado.
Procurar pelo amor me foi infértil. Deixei minha carência escolher por mim ou torcer para ser escolhida. E o que restou: mais um texto triste, um poema em carne viva.
A procura equivocada me levou para um lugar chamado cansaço. Não havia amor ali naquele abraço. Era qualquer coisa meio juvenil e imatura, onde se busca no sexo a cura sem encontrar realmente intimidade.
Procurar pelo amor também me fez sentir saudade. E por esta sucessão de faltas eu acreditei na força do sentimento que veio com a ausência. Mas eu não havia perdido ninguém, mas abafado, com uma busca desvairada, a minha essência.
E talvez sobrecarregado o Outro. E certamente sobrecarregado a mim. Como haveria espontaneidade assim?
Procurar pelo amor já é finito. Como posso encaixotar numa bússola aquilo que está guardado no infinito?
(Procurar pelo amor me foi inútil. O amor me encontrou).
Marla de Queiroz.

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