Não chorou na estação de trem. Pela primeira vez não seria conduzida por um adeus ou nenhum aceno. (Como todas as outras vezes em que arrastou suas malas com o rímel borrado, o batom desbotado e a expressão transparente de lágrimas). Agora ia apenas de um lugar para outro, não estava sendo abandonada pela alegria.
Acendeu um cigarro ao ouvir o aviso de um pequeno atraso: mas não tinha pressa. Habitava em outro tempo ou momento onde tudo era suave e podia transcorrer lentamente. Observou sem grande interesse a minúcia dos enfeites das flores de plástico com suas aparências tão reais quanto bonitas. Às vezes, realmente, a beleza parecia artificial.
As árvores corriam apressadas dentro do trem. Apenas manchas verdes aquecidas pelo sol rabiscavam as janelas.
Seu coração estava tranquilo e o olhar cada vez mais sonolento. O homem sentado ao seu lado parecia amá-la com delicadeza e urgência. Deu-se conta do contexto: e abandonou o texto para abraçá-lo.
Marla de Queiroz
França, 04/08/14

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