E às vezes eu me fecho feito concha num mundo interior de indagações mudas. Não sei ao certo que lugar é este em que permaneço ainda que meu olhar continue sorvendo cada nuvem e curva de vento nesta cidade onde as flores se comportam como damas pudicas e as mulheres me olham feito uma observação a ser feita. É tudo tão bonito e há um amor doce e prematuro. Tanto romantismo consumindo centenas de rosas vermelhas e surpresas intermináveis. Mas às vezes eu volto tão intensamente para este espaço íntimo interior e me lembro que a minha realidade vive do outro lado do mesmo oceano e que a felicidade mora em saber receber sem ter. Na fugacidade, tudo continua surpreendente e intenso. E o amor não mora na geografia, mas nesta docilidade que só um coração escancarado pode sentir e permanecer com ela. Veja: hoje o sol amanheceu convicto: há mais luz e uma porção suficiente de calor. Uma porção demasiada de amor. 

Marla de Queiroz

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