Então o dia foi se rastejando sobre o meu corpo inerte. Eu não sabia de qual espaço interno ou externo o cansaço vinha. Fui percebendo ao abrir e fechar os olhos, o sol indo e vindo pela janela, até desistir. Eu só precisei de tanto silêncio. E, agora que a noite já se insinua, minha voz está rouca e quase inaudível. Um esforço absurdo para começar uma atividade qualquer e abrir, definitivamente, os olhos do tamanho de um mundo expandido. Mas ainda não sei se quero ver tanto, sentir tanto, escutar tanto, falar qualquer coisa. Sinto sonolência em pensar que precisarei responder quaisquer perguntas. Qualquer simplicidade se apresentará como uma equação matemática de complexidade extrema. Sei apenas que estou destituída de especialidades, opiniões e oca de sensações que me causem estímulos. Há tempos eu não experienciava a entrega total ao ócio. Há tempos eu não tive tanta falta de vontade de dizer.
Marla de Queiroz

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