Há tempos num texto arremessei meu coração contra a parede. Há tempos num trecho arrematamos o parágrafo rasurado, mas o amor que recheava o romance estava usado. Nada de inédito no nosso cenário: tudo era reaproveitado. A casa tinha um aconchego adaptado, as brigas e as reconciliações de um casal alheio estavam espalhadas pelos cantos. Há tempos que retomamos este roteiro abandonado pelos protagonistas. E, coadjuvantes, encenamos sem figurinos apropriados. E não tivemos público, apenas autocríticas. Já era a hora de resgatar no tempo a aceitação de que o que tentamos reviver era áspero e cheio de farpas. Ao plagiar uma história, nós construímos uma farsa.

Marla de Queiroz

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