A dor é brutal simplesmente porque a situação é delicadíssima. É um paradoxo adoecer de saudade por se desvencilhar de alguém para tentar se manter emocionalmente saudável. As histórias se compõem com projeções demais e muito do que somos fica lá com o Outro. E, geralmente, o nosso lado mais bonito. Não que faltasse Beleza naquele alguém que agora virou apenas a inicial de um nome que evitamos pronunciar, mas as condições de temperatura e pressão foram ingratas. A disposição para os ajustes necessários foi insuficiente. Poderia se dizer que havia ali um relacionamento preguiçoso, como um dia que não quer amanhecer e se estende nebuloso e indeciso, com fiapos de sol e nesgas de nuvens negras. E uma dor brutal surge com uma sensação delicadíssima de alívio que quase não queremos considerar. Esquecemos que, muitas vezes, a sensação de vazio é somente a falta daquele peso que confrangia o peito ora sim, ora mais ou menos. Mas nos mantinha ocupados. E que chamávamos de amor uma codependência intensa.

Essa dor brutal.

Marla de Queiroz

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