Olha, amor eu tava lendo umas coisas da Ana C. no metrô e achei tudo muito parecido com a minha melancolia. Ela deixou claro que essa inquietação toda, da qual me identifico, no fundo é uma grande sensação de saco cheio de tudo. Eu perdi horas tentando decifrar isto filosoficamente e ela resumiu de uma maneira tão honesta e simplista: saco cheio! Aí eu fiquei lembrando de quantos pensadores receberam mentalmente o meu dane-se (só por este momento). Não é niilismo, não é depressão, nem ao menos melancolia. É saco cheio, saco cheio, saco cheio de um jeito que não entra espiritualidade, autoinvestigação mais aprofundada nem essa tentativa de uma compreensão amorosa o suficiente para abarcar o Outro. É uma saco cheio egoísta pra caramba. Uma agoniazinha dessa relação engessada e sem espaço para manobras e da cara do meu terapeuta que já entendeu isso tudo e acha que ainda não é hora de me contar. Então, essa coisa de D.R. não vai rolar. Eu só preciso dizer exatamente o que estou dizendo: estou de saco cheio de tudo que abrange nós dois. Quero me desvencilhar agora dessa rotininha morna, tão comportadinha e cheia de MIMIMI. Mas, antes, eu preciso saber:
Você viu a chave do meu carro jogada por aí?

Marla de Queiroz

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Tami

 
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