Porque a única saída de emergência possível seria fechar as portas entreabertas do passado. Através daquelas frestas, eu tinha a visão dos entulhos e uma vontade incontrolável de arrumá-los. Mas não se organiza o alheio, eu só podia trancafiar tudo o que me travava o salto, o passo de dança, a caminhada adiante. E, para abrir meus caminhos, tive que me desapegar da casa abandonada introjetada. Tive que me despedir da vontade de recuperar as perdas necessárias. Tive que rejeitar a cadeira que não me acomodava sentada, o sofá que me acomodava na vida, a louça suja que lembrava a indigestão emocional. Tive que admitir que não havia um seguro que resgatasse a perda total daquelas relações.

Outras portas se apresentam. A paisagem emoldurada pela janela, não é mais apenas contemplada: experiencio, internamente, o que está do lado de fora. Mas tive que fechar, com convicção, todas as portas do passado para conseguir descobrir o segredo da chave que eu tinha na mão... e que me abre para o AGORA.

Marla de Queiroz

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