Eu tenho trezentos vulcões internos em erupção que, às vezes, assusta a menina que há em mim. Eu não vou pedir permissão para estar assim, para existir. Ergo-me depois do choro copioso, evito com toda a acidez o afeto odioso. Eu preciso apenas deste meu Altar e do meu espaço. Esqueça agora aquela poesia que te ampara, hoje eu não quero organizar meus pensamentos, quero observá-los. Eu tenho uma tempestade de agulhas no peito. Deixe-me em paz, clamando por sono e me destituindo das farsas que abracei. Quero apenas o silêncio da madrugada, nada mais. Tenho em mim todos os decibéis mais nocivos nos ouvidos, tenho à tona todos os meus reais conflitos. Quero o colo desse céu calado, o jorro do texto desarrumado, quero apenas estar o que estou, acolher como posso o que não gosto e, amanhã quando acordar, descobrir que pude estar ao cacto da pele, mas que já passou.
Já passou.

Marla de Queiroz

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Tami

 
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