Hoje eu queria contemplar tantricamente o Mundo, mas o cansaço assola a leveza da noite e a mente ejacula precocemente frases que ainda não amadureceram. Ontem eu chorei de melancolia. A gata, na sua letargia e generosidade, acolheu minha tristeza sem rosto e lambeu minhas lágrimas de sal. Aceitou que eu deitasse no seu dorso e abandonou levemente suas patas na minha cabeça fervilhante. Um silêncio cúmplice entre nós aconteceu. Aparentemente, não havia motivo algum para um choro copioso. Talvez esta ereção contínua da palavra, esta ninfomania do verso e a pretensão de querer respirar ilesa quando se vive massageando o peito e suspirando de vida demasiada, me levem à exaustão. Uma excitação exacerbada e o arrepio constante. Um espanto primordial que não me larga, alarga sempre, mais e tanto.
É bom estar presente nas situações que se apresentam, mas eu não apenas absorvo, eu me misturo a tudo. Há momentos em que não sei onde começa o tronco de uma árvore ou o meu corpo. Há dias em que não sei se o voo daquele pássaro não é o meu. 
Ontem eu chorei de susto, de surto, por sorte um choro aconteceu. Estava observando o Universo quando tive um insight inusitado:
"Meu Deus, o Universo também sou eu!"
Desejo boas notícias.

(Preciso desacelerar, amores. Preciso realmente descansar)

Marla de Queiroz

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Tami

 
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