Hoje eu acordei indócil como são as fêmeas que clamam pelo sêmen semântico. Das que querem beber o líquido quente e viscoso que o verbo derrama no ventre da poesia. Indócil de energia represada, desse ardor inclemente, da vontade da palavra molhada pregada na língua do poeta. (E essa intimação para o passeio lúbrico entre as frestas). Indócil e fácil, súbita e assumidamente oferecida. Daquelas que se despem salivando penetrâncias. Crestando como flor ao sol enxugando-se do orvalho. Planta carnívora, suor íntimo de mar, cheiro fresco de mato. Tomo banho de rosas vermelhas com recendências de almíscar... Almejo a nossa sinfonia de gemidos. Estou indócil de tanta força entre as pernas, predadora consumindo a presa entre as coxas.
(Cravo as minhas unhas na tua cor de canela).

Dispenso pontes, despeço pudores, despisto a distância 
e atravesso a nado o rio que abraçou nosso saveiro. 
Porque hoje eu acordei indócil com essa vontade de tê-lo...

Marla de Queiroz

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Coloquem aqui os seus devaneios e confissões...
BeijinhO,
Tami

 
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