Estou incondicionalmente tranquila, aceitando a chuva desregrada e o vento forte. Aceitando as manhãs quentes e as tardes esperançosas. Não há como, vez por outra, não lembrar que algo sempre estará faltando. Um sentimento importante, há muito desejado. Ainda assim, prefiro não tomar fôlego. É mais seguro ficar quieta, se mexer demais, estraga, dói. 
Eu sei que você lembra de mim, nem que seja de relance. Tudo bem, eu também penso em você. Mas, como eu  disse, me encontro calma, decidida e equilibrada. E você não sabe nem nunca soube como é (bom) estar assim. Não preciso mais me desesperar pra entender o que houve. Sei que te pareci muito confusa, bagunçada, incompleta no que te dizia. É que eu tenho a mania chata de esperar sensibilidade...Não posso ser assim. Ser sensível ao mundo é tarefa complicada, exige muito treino, muito olhar, muito sentir. Sim, eu sei que você é observador, vive se gabando e dizendo isso pra mim. O que acontece é o seguinte: você olha mas não sente. E daí, acaba vendo apenas uma cena e não o acontecimento. Das vezes que te disse estar com raiva, estar triste, estar magoada, por que você não me observou antes? Talvez tivesse muitas respostas para as suas dúvidas. Se você tivesse prestado atenção em mim teria visto meu olhar de tristeza em sua direção todas as vezes em que ficava fazendo pouco caso dos meus gostos ou então quando me dizia verdades suas que eu não estava preparada pra ouvir.
Por tudo isso e um pouco mais, algo se desmanchou. Como aquelas encostas que desmoronam e as estradas ficam por um fio. E eu sinceramente não sei se há trator capaz de reparar esse dano. Sabe o que eu descobri ontem? Que eu não sonho com você no futuro...Eu me senti um lixo quando me dei conta disso, mas é verdade. Não nos vejo nos meus sonhos dourados de consumo e existência. Eu me vejo de outras maneiras, em outros lugares...com outras pessoas. Sabe por que fiquei mal? Eu não gosto de nada pela metade. Nem desilusão. E você foi isso pra mim. Uma desilusão pela metade. É um pouco masoquista da minha parte querer o fundo do poço, mas também não me agrada nada sofrer desse jeito, trivialmente. É uma angústia que não é dor, mas também não é aceitável. Acho que machucou por que eu esperava ser melhor tratada. Mulher tem dessas frescuras, o clichê da pétala de rosa também vale pra mim, sabia? Mas sem me dar conta, virei um dos seus amigos de mesa de bar, e isso realmente foi anestesiador. Não esperávamos por isso, não esperávamos por tanto distanciamento, tanto silêncio. 
Acho que não esperávamos um pelo outro, mas por teimosia, decidimos ir mesmo assim. Nos desencontramos. Eu muito a frente, sonhando demais. Você muito atrás, relembrando demais. E eu já escuto tantas lamentações obrigatoriamente...não quero a sua de brinde. Talvez um dia consigamos encontrar um ponto de equilíbrio no tempo e no espaço, em que ambos estejam bem, sem mágoas pra relembrar nem expectativas pra realizar. Até lá, eu me viro melhor sozinha. 

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