O silêncio preservado inspira o fôlego forte e lento do que será dito. Repara esta voz baixa, este tom cadenciado, as palavras amaciadas, sem urgências ou gritos. O dia não corre ao meu lado, mas mora dentro de mim. Sou centelha do Universo, um átomo da Existência inteira. Meu tamanho me conforta, não preciso dar conta do Mundo todo, mas dos acontecimentos ao redor. Posso doar esta parcela de tempo que é o que tenho e o afeto que em mim vigora. Não importa a quantidade se ela é feita de tudo o que possuo agora. Nada busco, tenho o necessário e isto é o que chamo de ter o que é raro. Toda minha riqueza está em meu coração. Toma! É teu meu abraço, olfato e tato, aconchegue-se em meu peito, esqueça o pronome, preencha o sujeito: somos extensão.

Eu me tenho, nós nos temos. Tenho tudo, então.

Um dia de paz. Nada mais.

Marla de Queiroz

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