Eu sei que não foi uma despedida. Eu sei que, a partir de hoje, essa nossa ida nos trouxe alguma resposta ainda indecifrável, mas com um algum sentido, com todo sentimento. Eu sei, você sabe, não inventamos verdades, a verdade nos inventou. Nada foi raso, nem por acaso, nem de propósito, tudo foi maior e fluido. Nossas palavras e pensamentos latentes, nosso sentir incoerente e intenso ainda não nos cabe, mas nossa consciência nos sabe separados.Eu sei, que desde este momento algo mais alto será construído, sei que ficamos com uma sensação de sermos uma boa intuição na vida um do outro, ainda que não existisse a intenção de permanecer. Sei na pele teu nome, sei que o bom que nos resta fica, sei que o destino trata de desmistificar essa vontade contida e torço que o mesmo destino saiba diluir esse tanto que fica retido, como quem joga um punhado de sal num copo d'água e mexe. Assim, o que é nosso fica lá no fundo. Não vamos mexer mais e nem ao menos provar o gosto dessa mistura, pois é tortura agora apressar um adeus. Os seus olhos de mar vão sempre desaguar por entre minhas pernas tensas. Os meus pensamentos buscarão terra firme, algum porto, alguém que não parta, um abraço torto que seja, alguém que acalme a ressaca causada por esse vácuo de ausência que nos sobra agora. Eu sei meu bem, já era nossa hora.
 Lilian Verena 

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