Não era adepta à sutileza. Suas sensações insones se contrariavam com aqueles gestos sonolentos, o bocejar precoce das emoções que ele dizia sentir, mas que esvaneciam em seus lábios antes do término das frases. E ela ficava catando afeto nas entrelinhas e afago no corpo pesado ao lado, uma das mãos em seu seio e a respiração cada vez mais profunda. Um amor desamparado de ações, inerte demais para o seu querer caudaloso, sua fome indecente. Sempre uma inquietação dormir ao lado daquele que deveria colher a sensualidade ardendo em seu corpo. Tão inábeis na desproporção desejosa. Incólumes no colo da noite, a mudez de estrelas que ela apenas imaginava sonhando acordada com os olhos bem abertos mirando o teto. 
Juntos eram apenas dois corpos e lençóis amassados, o peito inquieto, o sono de um lado, o sonho do outro. E um abismo imenso onde cabia carinho, desejo, pernas entrelaçadas, palavras mal comportadas, gozo, carícias e, depois o cansaço e um abraço.


Marla de Queiroz 

Saudade do teu corpo! 

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