Eu queria alguma coisa que pudesse me trazer aquela certeza que acalma. Acho que, no fundo, é isso que todo mundo quer, certo? É por isso que tanta gente consulta os búzios, as cartas, os orixás, a astrologia. É por isso que a gente busca alguma fé na religião ou em algum grupo de apoio. É disso que o peito precisa: apoio. E uma certa compreensão silenciosa.
O coração não bate direito quando a angústia toma conta. Fica aquela interrogação fazendo tocaia na esquina, a dúvida vai subindo degraus cada vez mais altos até sumir de vista. Por que precisamos ter a (falsa) ideia de que está tudo sob controle? Por que tentamos a todo custo manter a vida em rédeas curtas?
Não entendo essa necessidade louca de querer saber. A vida é um não saber. É não saber dia após dia. É não saber o que vai acontecer no próximo minuto. É tentar equilibrar os pratos, a cabeça e o corpo a todo instante. Então, por que tanto sofrimento com a dúvida? Por que as incertezas, tão comuns como o simples ato de respirar, nos sacodem forte como furacão? Por que perdemos o sono com os pontos de interrogação que ficam andando em círculos na nossa mente?
Uma das grandes características da vida é a inconstância. Dias bons misturados com não tão bons. Saúde ao lado da doença. Alegria ao lado da tristeza. Vida ao lado da morte. Doce ao lado do azedo. Gangorra de sentimentos. Mescla de emoções. E assim vamos vivendo. Sem saber o que nos aguarda, mas com uma esperança que nunca nos abandona.
Clarissa Corrêa

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