Uma noite, em uma roda de amigos, descobri que nosso conto não era de fadas. E meu peito começou a arder de uma forma estranha, quase surreal. Então o que vivemos não é nada? Claro que sim, claro que é. O que vivemos é muito. É intenso, é bonito, é de verdade. Me belisca. Te belisco. Olha que real. Mas eu não fui feita pra você, se é que existe essa coisa toda de um que foi feito para o outro e o outro que foi feito para o um. 
Não dá mais pra viver assim, eu fico aqui brincando de me enganar, você fica aí nesse faz de conta de perfeição. E com isso vamos, pouco a pouco, nos ferindo. Nos cortando brutalmente. Não quero viver de retalhos e com cicatrizes feias. O que eu queria era que a gente se quisesse bem. E que não ficasse nenhuma mágoa. Mas eu sei que isso é impossível, sei que você não concorda, sei que agora quer voltar no tempo, mas o tempo não volta, ei, me escuta, ele não volta, ele já foi, ele nos levou para um abismo e eu não consigo 
achar outra saída a não ser pular. Sem você.
Pensei que podia continuar com isso, mas não posso. Desculpa, eu não consigo, eu não posso me fazer infeliz, eu não posso te fazer infeliz. Chega de insônia, chega de palavras presas na garganta, chega de produzir um câncer. Eu não quero mais essa vida. Não quero mais o seu gosto. Não quero mais mentir.

-Clarissa Correa

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